DE REPENTE, ADOLESCENTE!

A adolescência, é como um trampolim, da infância para a fase adulta (Rosângela Ferneda – Coordenadora assistente do Ensino Fundamental II)

E lá vou eu tentar sobreviver a essa fase novamente…

Agora, como mãe de menina, e já observo a primeira diferença em relação aos meninos: A adolescência chega bem antes…

Lembro-me que com o Lucas, percebi as mudanças de comportamento com 14 – 15 anos. A Malu, só tem 12 anos (quase 13), e parece que é outra menina…

As mudanças acontecem num piscar de olhos e a gente nem se dá conta, de repente, acorda e Plim…tem outra filha…

Uma vez, há algum tempo, não me recordo quem, me falaram: “na adolescência seu filho é abduzido e alguns anos depois será devolvido”. É assim mesmo que eu sinto. De repente, aquela garotinha dormiu e acordou completamente diferente (foi abduzida)…

De repente mais distante…

De repente com mais autonomia…

De repente não sei mais nada…

De repente não entendo de nada…

De repente, mudanças de humor, de comportamento, mudanças físicas…

Como lidar com tudo isso: com a insegurança, dúvidas e medos?

Como estar perto, se te quer mais distante?

Como dar apoio, se não quer mais sua ajuda?

Como ensinar, se já não sei mais nada?

Continuo errando tentando acertar, e acertando de vez em quando…

Muitas vezes só observando, as vezes invadindo o espaço, tentando entender, falando, falando, as vezes gritando (sim, também surto de vez em quando, digo que vou sumir, essas coisas…).

Mas, essa mãe, as vezes criança, as vezes adulta, as vezes adolescente, estará sempre aqui, por perto…para o que der e vier!

Dica de leitura – O texto abaixo reflete muito essa fase:

https://educacao.estadao.com.br/blogs/vital-brazil/adolescencia-que-fase-e-essa/

Adolescência: que fase é essa?

Colégio Vital Brazil

29 Junho 2018 | 16h52

“Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou.” – Carl Gustav Jung

A palavra adolescente advém do latim “adolescere”, que significa crescer. Refere-se ao efetivo momento de transição, quando a infância dá passagem à fase adulta, com o objetivo de atingir outra identidade, tendo a adolescência como trampolim.

Abandonar a infância e subir os degraus até o referido trampolim causa ansiedade frente ao desconhecido. Cada degrau denota aprendizado e crescimento. Chegar ao topo, com os pés já sobre a rampa, traz a certeza de que a hora chegou – um verdadeiro mergulho rumo ao desconhecido e desejado.

Mudanças físicas e psíquicas compõem, de maneira acentuada, um cenário intenso e repleto de emoções na piscina da vida. O mergulho, as bolhas da imersão, as ondas que elas causam, o balançar da água turva e a distância até as bordas são sensações internas, que traduzem instabilidade. A insatisfação com seu corpo traz ao adolescente um sentimento desconfortável e inquietante. As ondas são avassaladoras.

Por outro lado, temos um descortinar de vida com inúmeras possibilidades. Amizades intensas e amores de pura beleza, os quais ficarão para toda a sua existência.

Ao considerar esse contexto, o resultado é o de alguém que se sente demasiadamente jovem para certas questões de vida e demasiadamente velho para outras. Desejam independência e liberdade, mas ao mesmo tempo sentem-se incapazes de “criar asas e voar”. O tempo passa rápido e o mundo colorido da infância parece ficar cada dia mais cinzento. Pressões, frustrações, ansiedade, alteração de humor, ambivalência emocional e senso de justiça potencializado são algumas das características desse momento. A rebeldia está à tona, principalmente em relação à autoridade, seja ela qual for – dos pais, inclusive. Afrontar e descumprir é a demanda do momento, independentemente de como a água da piscina esteja – serena ou turbulenta.

Aberastury e Knobel (1983) postulam que esse momento é marcado por uma flutuação entre dependência e independência; somente com a maturidade, o indivíduo encontrará o equilíbrio almejado. Por mais sonhada que seja, a adolescência denota euforia e descontentamento, alegria e tristeza, coragem e medo, avanços e retrocessos… O oscilar do trampolim continua permeado pelo antagonismo, e quem o comanda pede socorro.

Em termos cognitivos, Davis (1982) postula que o desenvolvimento resulta de um amadurecimento adequado, conquistado previamente nos estágios que antecederam essa fase, ganhando gradativamente uma complexidade das estruturas sensório-motoras e operações concretas, também conceituado por Piaget (2003). O pensamento hipotético-dedutivo maturado possibilita inúmeras descobertas e contribui para o domínio e exercício da flexibilidade e versatilidade. Parafraseando Vygotsky, a aprendizagem relaciona-se ao desenvolvimento do indivíduo desde o nascimento, fato este que contribui para o seu amadurecimento.

Mais uma questão torna-se relevante – o sentimento de pertencimento – o que faz esse momento ser muito especial. Os adolescentes precisam da valorização, do reconhecimento e da afirmação do “outro”, quesitos que o grupo lhes dá – em teoria. Tudo isso colabora para seu amadurecimento e desenvolvimento. A busca por modelos traz ao jovem aumento de repertório interno.

JUNG, C. G. (2009) refere-se a esse processo de maturação como individuação“A individuação, em geral, é o processo de formação e particularização do ser individual e, em especial, é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto do conjunto, da psicologia coletiva. É portanto, um processo de diferenciação que objetiva o desenvolvimento da personalidade individual. (…) Uma vez que o indivíduo não é um ser único mas pressupõe também um relacionamento coletivo para sua existência, também o processo de individuação não leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e mais abrangente”. 

Temos, enfim, sabores intensos de alegria e satisfação. A água da vida pode parecer menos turva e instável. O oscilar pode tornar-se ameno. O mergulho, por mais difícil que seja, pode ser aprendizado. Se filmássemos em câmera lenta a trajetória do salto de um trampolim, veríamos flashes e sinais de empolgação, vivacidade, ousadia, intensidade, fantasia, coragem, luminosidade, fascínio e vida pulsante, com uma riqueza de detalhes inestimável. O que deve ficar é a consciência de que cada um deve se reconhecer como indivíduo único, na certeza de que as lembranças desta fase estarão presentes por toda a sua existência.

A chama do “gostinho de quero mais” necessita estar acesa para que venham outros saltos e trampolins, rumo ao autoconhecimento.

Rosângela Ferneda – Coordenadora assistente do Ensino Fundamental II